Data
Ainda há muito a evoluir
No Dia do Orgulho LGBTQIA+, comunidade expõe necessidade de inclusão e visibilidade contínuas
Com o intuito de conscientizar a população e reforçar a importância do combate ao preconceito, no Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+ - comemorado hoje - integrantes desta comunidade refletem sobre a relevância de ter um mês especial destinado à luta de quem “apenas” deseja respeito e direitos básicos.
Ao chegar junho, não são poucas as propagandas publicitárias que abordam a causa LGBTQIA+. As ações evidenciam que as empresas são favoráveis às lutas da comunidade, no entanto, na prática, esta nem sempre é a pura realidade da instituição, conforme aponta Rodrigo Rosa, diretor executivo do Conselho Municipal dos Direitos da Cidadania LGBT de Pelotas. “Percebemos que há sempre muitas campanhas, na tentativa de dar mais representatividade para a comunidade, mas entendemos que isso vai muito além de uma propaganda em um mês específico. Precisamos ter visibilidade o ano inteiro”, comenta. Ele cita ainda que muitas empresas não efetivam políticas de inclusão de pessoas do grupo, como transexuais, muito afetados com a questão da empregabilidade.
O problema é ressaltado pela transexual Jô Rocha, de 36 anos. Atualmente ela trabalha como representante de vendas, mas sabe que nem todos têm a mesma oportunidade. “Muitas instituições fazem o comercial usando a comunidade como ‘chaveiro’ para se beneficiar, visando o lucro, e não há uma proteção a essas pessoas, nem mesmo na missão, valores ou projetos sociais. É somente no mês especifico que fazem algo alusivo aos LGBTQIA+”, comenta. Jô diz ainda que essa atitude espaçada, mesmo que dê visibilidade à comunidade, pode ser prejudicial, uma vez que é “vazia” e pode levar a sociedade a colocá-la em um espaço de tempo. Em seu entendimento, quando for necessário, não haverá apoio.
Hoje militante, Jô conta que mesmo antes de pertencer à letra “T” da sigla já lutava pela causa, pois percebeu que o grupo é formado geralmente por pessoas que não possuem estudo. A graduanda de Educação Física da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) acredita que a educação pode contribuir para a mudança deste cenário - tanto na questão da empregabilidade, quanto na de criar uma maior conscientização na sociedade. Ela lamenta que nem todas as trans conseguem ter acesso à educação básica ou superior e acabam tendo que buscar outras formas de sustento. “Eu sempre incentivo o estudo, pois só com ele poderemos cada vez mais ocupar locais que são nossos por direito”, aponta. Jô ainda diz que a sociedade está se encaminhando para uma melhora no tratamento com a comunidade, mas percebe que ainda existe uma onda radical contrária muito forte.
Jô também participa do Coletivo T. Juliana Martinelli e realiza diversas ações voltadas à causa, como a oferta de cursos profissionalizantes através de uma parceria com o IFSul e a UFPel. Neste momento de pandemia também estão sendo doados alimentos a membros da comunidade que estão enfrentando dificuldades.
Luta LGBTQIA+
Rodrigo Rosa destaca a importância do mês para manifestar questões que ainda precisam avançar. O diretor do Conselho destaca conquistas que, segundo ele, nunca deveriam ter sido retiradas, como o casamento civil, adoção e a retificação do nome social - direitos básicos adquiridos após muita luta. “Queríamos ser reconhecidos como população de direito, mas essas datas comemorativas fazem-se necessárias para pautarmos o que precisamos evoluir. O mês do orgulho é para manifestar nossa existência, nosso amor”, comenta.
Sobre a luta LGBTQIA+, o diretor executivo diz que não serão aceitos retrocessos e que o movimento seguirá pressionando a sociedade a debater as questões relacionadas à comunidade, em busca de construir uma sociedade mais igualitária. Ele destaca ainda a necessidade de uma maior representatividade do grupo em cargos públicos para auxiliar na busca por direitos. “Temos muitos desafios daqui pra frente, seja na questão da empregabilidade, da saúde, da assistência social, da educação ou mesmo da segurança pública. Somos cidadãos e cada vez mais precisamos ocupar espaços para firmar nossa cidadania”, finaliza.
Para reforçar algumas questões, o Conselho Municipal dos Direitos da Cidadania LGBT está fazendo um planejamento estratégico para a proposição de políticas públicas em todas essas áreas da sociedade, sejam elas privadas ou não, com o objetivo de ofertar mais oportunidades aos membros da comunidade.
Significado da sigla LGBTQIA+
L - Lésbicas
G - Gays
B - Bissexuais
T - Transexuais, Travestis e Transgêneros
Q - Queer
I - Intersexuais
A - Assexuais
+ - Engloba todas as outras letras
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